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Tendências-Carreiras que prometem bons frutos no futuro

No livro "O Dicionário do Futuro", a badalada pesquisadora americana de tendências Faith Popcorn afirma que em 2015 mais da metade da população estará trabalhando em profissões que hoje não existem. Segundo ela, habitarão o mundo dos negócios, por exemplo, os "sussurradores", profissionais especializados em lidar com consumidores enraivecidos e cada vez menos tolerantes aos deslizes das empresas, ou "especialistas em simplicidade", pessoas cuja missão será reduzir a complexidade dos softwares e das redes de computadores das companhias. Como o próprio nome sugere, há no livro de Faith uma dose de exercício de futurologia. A análise de muitos movimentos sociais e econômicos que estão acontecendo hoje, porém, já aponta de maneira mais tangível o surgimento de carreiras cuja valorização se intensificará nos próximos anos.

Numa pesquisa realizada pela consultoria DBM, a pedido da revista americana Fortune, são vistas como promissoras carreiras nas áreas de saúde, tecnologia e meio ambiente. No último levantamento realizado pelo Bureau de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, as profissões de engenheiro ambiental, hidrologista (especialista em água), engenheiro de software e de redes e biomédico estão entre as 30 que mais crescerão nos próximos oito anos. No Brasil, um levantamento feito por EXAME com cerca de 20 especialistas, entre pesquisadores do mundo do trabalho, headhunters e consultores de recursos humanos, revelou que não há consenso a respeito das carreiras mais promissoras -- mas há, sim, indicativos claros das áreas que estarão aquecidas na próxima década. Assim como as empresas americanas, as brasileiras também estão à caça, por exemplo, de especialistas capazes de instruí-las a usar a tecnologia de maneira melhor e mais segura ou de profissionais que possam ajudá-las a relacionar-se com o meio ambiente e a sociedade civil -- uma interação complexa e cheia de idiossincrasias. Todas essas carreiras, de alguma forma, estão ligadas à corrida por inovação.

Na Suzano Papel e Celulose, a busca por engenheiros ambientais e profissionais afins não pára. Nos últimos 12 meses, três foram recrutados e há vagas em aberto. A dificuldade em contratar deve-se ao fato de que o perfil desse profissional está mudando muito. "Mais do que ajudar a empresa a não poluir, o escopo do seu trabalho hoje envolve questões mais estratégicas, como entender a pressão de grupos da sociedade", afirma Jorge Cajazeira, executivo do grupo Suzano. O agrônomo e doutor em engenharia ambiental João Matos é um desses profissionais. Funcionário da Beraca, empresa brasileira que extrai e fabrica ativos vegetais para várias indústrias, ele precisa se relacionar com milhares de famílias no norte do país para encontrar fornecedores de produtos vegetais para fabricantes de cosméticos. Com passagens pela Embrapa e pelo governo do Amazonas, Matos já foi convidado mais de uma vez para trabalhar no exterior. "Não fui porque as oportunidades estão crescendo muito por aqui", afirma.
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Israel Feferman
Cargo: Diretor de pesquisa e inovação do Boticário
Formação: Farmácia e bioquímica
O que fez: Foi o primeiro no Brasil a liderar uma equipe de pesquisadores para usar a nanotecnologia, ciência que lida com objetos em escala nanométrica (1 nanômetro equivale a 1 milionésimo de milímetro), no desenvolvimento de um cosmético

‘‘O potencial de aplicação da nanotecnologia é infinito.‘‘

João Matos
Cargo: Gerente do programa de valorização da biodiversidade da Beraca, fabricante de ativos vegetais para a indústria
Formação: Agronomia e doutorado em engenharia ambiental
O que fez: Cuida de 8 000 famílias da Amazônia que cultivam de maneira sustentável ativos como a piprioca e o buriti, para que, depois de extraídos e processados, sejam vendidos a empresas de cosméticos, como a Natura

"Nunca quis trabalhar fora do país. O desenvolvimento sustentável vai deslanchar, e permanecer aqui é estratégico.‘‘
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Uma tendência comum em todas as áreas, segundo especialistas, é a crescente especialização. Administradores deverão se transformar em, por exemplo, especialistas em logística da cadeia de consumo, e biólogos poderão ter ocupações como técnico em biodefesa (que trata da identificação de vírus e bactérias capazes de gerar grandes epidemias). Algumas empresas já têm em seus quadros especialistas em ciências que, até recentemente, estavam apenas nas universidades. Israel Feferman, diretor de pesquisa e inovação do Boticário, é farmacêutico e bioquímico. Hoje, porém, já pode se considerar um especialista em nanotecnologia -- ciência que lida com objetos em escala nanométrica (1 nanômetro equivale a 1 bilionésimo de metro). Por três anos ele liderou uma equipe de 18 pesquisadores que usou essa que é considerada uma das mais promissoras áreas das ciências para desenvolver cosméticos. "Muitos outros produtos da empresa devem incorporar a nanotecnologia no futuro", diz Feferman.
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Setores em aquecimento
Algumas das áreas de negócios que devem crescer nos próximos anos e as possíveis carreiras:

Marketing e Consumo
- Especialista em planejamento estratégico
- Especialista em cadeias de consumo
- Psicólogos do consumo

Agronegócios
- Especialista em microbiologia agrícola
- Especialista em genética e melhoramento das plantas
- Especialista em transgênicos

Tecnologia da Informação
- Administrador de redes
- Perito em segurança de dados
- Administrador de comunidades virtuais

Ciências da Vida
- Especialista em nanotecnologia
- Especialista em bioética (até que ponto o homem pode ter controle da vida)
- Especialista em biodefesa (estuda vírus e bactérias infecciosos para seres humanos e atua no controle de epidemias como a gripe aviária etc.)

Sustentabilidade
- Gestor de responsabilidade social
- Engenheiro ambiental
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Autor: Beatriz Marques Dias
Email do Autor: n.d.

Fonte: Revista Exame

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