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Pequenas empresas abrem filiais nos EUA


A primeira experiência do empresário Celso Aguiar no mercado internacional foi amedrontadora. Há cinco anos, em Las Vegas, o presidente da indústria de cosméticos Kanitz montou o stand na feira promovida pela Abipec, associação do setor. Os produtos, no entanto, não chegaram a tempo por um atraso da transportadora. A primeira pergunta o derrubou. “Para que você está aqui, então?”, questionou um dos potenciais compradores. O episódio não arrefeceu a idéia de entrar no mercado americano. Com o plano de expansão embaixo do braço, Aguiar voltou ao Brasil e traçou uma nova estratégia. Hoje a Kanitz é uma multinacional. Ela e outras 114 empresas que, com a ajuda da Agência de Promoção de Exportações, a Apex, desembarcaram no Centro de Distribuição de Miami, nos Estados Unidos. O sucesso da empreitada pode ser conferido pela disputa de um espaço dentro da área de 2 mil metros quadrados, no Miami Free Trade Zone, ao lado do aeroporto da cidade. Há 158 empresas na lista de espera. “Não há outra forma de manter uma empresa pequena no exterior porque ela não tem fluxo de caixa”, diz Juan Quirós, presidente da Apex. “Nós facilitamos as coisas.” Hoje, a Kanitz fatura cerca de US$ 10 mil por mês nos EUA. Mas é um volume que vem crescendo. “Agora somos considerados uma empresa genuinamente americana”, explica Celso Aguiar.

Para as empresas que buscam a Apex, o centro de Miami é uma mina de ouro. O aluguel não passa de US$ 800 mensais e cobre armazém, escritório de negócios e um espaço para expor os produtos. Uma área semelhante em qualquer outro ponto comercial de Miami não custa menos de US$ 2,5 mil – e sem direito a uma estrutura para a estocagem das mercadorias. Parte do preço pode ser explicada pelo fato de o governo da Flórida bancar 50% do aluguel, investindo numa política de atração de empresas. “Há toda uma estrutura disponível para que os negócios sejam regularizados dentro da legislação americana, inclusive com direito a advogados e despachantes”, acrescenta Alfredo Najá Domingos, gerente do Sindicato da Indústria do Gesso, que congrega cerca de dez empresas no centro da Apex. Todo esse processo custa cerca de US$ 20 mil por mês aos cofres da agência – e as receitas com os aluguéis não pagam sequer 25% das despesas. “Estamos colocando no mercado americano US$ 3 milhões de produtos brasileiros todos os meses”, defende Juan Quirós. “Alguns podem ver essa operação como deficitária. Eu vejo como um excelente trabalho de conquista de um mercado vital.” É essa visão que está sendo absorvida pelos que experimentam a aventura de virar uma multinacional. “Os pequenos empresários brasileiros ainda não têm a cultura comercial dos americanos”, explica Celso Aguiar. “Eles são mestres num pragmatismo que virou essencial no mercado internacional.” Um outro motivo que explica a internacionalização dessas empresas são os altos impostos cobrados por aqui. “Vender cosméticos no Brasil é pagar imposto”, diz Aguiar. “O faturamento ainda é incipiente, mas me interessei porque a exportação alivia e muito na tributação brasileira.”

Fonte: Revista Isto É Dinheiro / Gustavo Gantois.

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