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Tendências-Internet a Geração Web
A internet amadureceu. Sim, o mundo da rede continua repleto de jovens descolados, que viram madrugadas antes de levar ao ar suas idéias revolucionárias, adoram ambientes de trabalho cheios de estilo e prezam muito qualidade de vida. E, claro, sonham em ficar ricos. Mas a web 2.0, como foi chamada essa nova fase da rede, é a versão melhorada da internet que existiu antes do estouro da bolha, a crise de 1999, quando os investimentos fartos acabaram. Com novos modelos de negócios, facilidade de desenvolvimento de programas, intensa participação do internauta e ferramentas que estimulam seu uso, a web 2.0 começa a movimentar muito dinheiro. Inclusive no Brasil. Também aqui, ela atrai o interesse de investidores profissionais. “Esse movimento já é tão forte no Vale do Silício que alguns se perguntam se já não se trata de uma nova bolha”, diz Fábio Iunis de Paula, diretor de investimentos do fundo IntelCapital. “Mas, desta vez, tanto investidores quanto empreendedores estão mais comedidos e preocupados em não cometer os mesmos erros.” Vale o mesmo para o Brasil. Sem a mesma fartura de recursos, os projetos hoje são desenvolvidos em modelos de negócio rentáveis, com perspectiva de rápido retorno financeiro. A Zinia Tecnologia Aplicada, por exemplo, nasceu há quatro anos e uma de suas áreas de atuação atende a demandas específicas de diversos mercados.
Entre elas estão a certificação de documentos que passam pela rede (com o comprova.com) e a intermediação de meios de pagamento, NovoCaixa. “Mais do que softwares, queremos vender serviços”, diz Mauro Tozzi Netto, sócio da Zinia. “Como a tecnologia ficou perecível demais, sabemos que o retorno será maior se atrelarmos nossas soluções a serviços.” Outra característica da web 2.0 é que os empreendedores não são mais neófitos. A maioria deles já esteve envolvida em outros projetos de tecnologia e consegue enxergar nichos nos quais podem atuar com mais eficiência. “Antes, muita gente que não era do meio queria uma parte dos investimentos”, afirma De Paula. “Os empreendedores de hoje sabem do que falam.” É o caso da Rede Ponto Certo, que trabalha no mercado de cartões inteligentes com o Bilhete Único, sistema de transporte integrado entre metrô e ônibus de São Paulo. “Depois de criada a rede e colocada em funcionamento, percebemos que tínhamos uma empresa multi-serviços”, diz Andre Martins, 31 anos de idade, presidente da Rede Ponto Certo. Com a constatação, a empresa, que fatura R$ 4,2 milhões ao ano, se tornou um canal de vendas de créditos de celulares pré-pagos. E percebeu que poderia estender seu serviço, ao lançar a Nova Zona Azul, sistema eletrônico em que cartões de estacionamento de São Paulo são substituídos por pagamento via celular. “Fazemos a gestão do dinheiro movimentado entre a CET e o usuário”, diz Martins.
Ronaldo Sodré Santoro, 33 anos de idade, sócio da empresa de leilões virtuais SuperBid, também conseguiu enxergar novas oportunidades em sua área de atuação. Desde criança no mercado de leilões – sua família é dona da tradicional casa de pregões Sodré Santoro –, Ronaldo tentou convencê-los a partir para o mundo virtual antes mesmo de o eBay tornar-se um sucesso. Não conseguiu e partiu em vôo solo. Mas com o estouro da bolha e investimentos em retirada, teve algum êxito fazendo leilões de carros e imóveis. Sua verdadeira mina de ouro, porém, surgiu quando passou a leiloar máquinas, equipamentos e sucata de indústrias como CVRD e Votorantim. “O importante na mudança de foco de negócios é investir muito em tecnologia, porque a evolução é constante”, diz Santoro. Seu site suportou mais de 20 mil compradores durante o leilão dos ativos do Banco Santos.
A questão tecnológica, evidentemente, é o coração das mudanças trazidas pela web 2.0. Linguagens específicas do novo movimento, como Ajax e Webscript, estão por trás de sucessos como o site de vídeos YouTube e os novos correios eletrônicos do Yahoo e MSN, prestes a serem lançados. Eles tornaram a internet mais amigável para o internauta, que interage muito com todo tipo de informação. “O Ajax torna a experiência de acessar a web parecida com a que as pessoas têm em seu computador”, diz Alexandre Alvim, presidente da Inova. A empresa foi criada por Alex Panagides para vender serviços de e-mail. E viu sua oportunidade de negócios crescer com as novas linguagens. Isso resultou numa viagem de apresentação da empresa a investidores americanos, em junho. “A grande diferença, agora, é que sabemos o valor que nossa ferramenta pode ter no mercado”, afirma Alvim. Essa, aliás, é outra parte comum do discurso dos novos empreendedores da rede. Todos, é claro, venderiam suas empresas por um preço atraente. Mas eles têm a clara noção de que seus negócios podem valer muito mais no longo prazo. “Temos sido assediados por investidores, mas o parceiro teria de agregar valor ao negócio”, diz Carlos Montenegro, 28 anos, sócio da Sacks, maior site de comércio de perfumes e produtos de beleza do País. “Não vale a pena vender só pelo dinheiro.” Nascido para dar suporte à rede de lojas da família de Marcelo Franco, um dos sócios, o site é parceiro das Americanas.com e lucrativo desde 2004. As lojas físicas deixaram de existir, mas a versão virtual continua em pé e crescendo. Como muitas empresas da nova tendência, eles evitam falar de faturamento e valor de mercado, por estarem em negociações sigilosas. “A internet está cada vez melhor. O mercado e as soluções continuarão amadurecendo”, diz Alberto Luiz Albertin, coordenador da área de tecnologia da FGV-SP. “A corrida ao ouro não é a mesma de antes, mas o uso da rede só tende a aumentar.” A época do ouro dos tolos ficou para trás.
Autor: Cristiane Barbieri Email do Autor: n.d.
Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro
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