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O bom humor estimula a criatividade

Você já ouviu falar que o bom humor é favorável e até conta pontos no ambiente de trabalho? Afinal, essa é também uma característica da qual poderá nascer a criatividade. E, convenhamos, conviver com aquele tipo sempre de mal com a vida, ainda que extremamente competente, não é nada fácil. Você vive esse drama? Mas é bom ficar alerta para não passar da conta, pois a linha que separa o engraçado do inconveniente por vezes é muito tênue.

O engraçadinho de plantão quase sempre desperta sentimentos ambivalentes, que podem ir do amor ao ódio. Quando ele falta, sempre tem quem dá graças a Deus porque vai poder trabalhar em paz, como os que lamentam porque o dia vai ficar sem graça. Às vezes, não é fácil lidar com a situação. Mas é bom não bater de frente com o piadista e reprimi-lo. Primeiro, porque isso vai gerar um clima desagradável e, depois, porque, muitas vezes, são suas atitudes que conseguem amenizar o estresse do dia-a-dia.

Alertar a pessoa com relação aos seus limites, entretanto, é aconselhável. O humor no ambiente de trabalho, na medida certa, é bom, pois ajuda as pessoas a ficarem mais descontraídas e muitas soluções criativas podem surgir de sátiras e brincadeiras. Sempre aconselho, quando estiver criando: brinque com a idéia, dê risada, vire criança, pinte e borde com a nova idéia, ela vai melhorando e sendo aprimorada. Para mostrar seus exageros, uma boa dose também de bom humor e amizade pode dar certo.

Observe a cena: você está diante de uma pessoa chata, aquela de plantão, às vezes inconveniente. Você começa a ficar nervoso, prestes a ter um ataque de nervos. O que fazer? Conforme o conselho popular, comece a contar até dez. Qual a origem desse conselho? Trata-se de um número cabalístico? E quanto às pessoas que nem contando até mil conseguem diminuir a raiva?

Cabe uma explicação científica. O nosso cérebro determina o nosso pensamento e como nós nos comportamos. Assim, quanto mais o conheço, maior a chance de modificar minhas atitudes. Diante da ira, como você já sabe, há um desequilíbrio entre os dois lados do cérebro e isso é perceptível por todos, mas às vezes menos pelo irado. Quando está à beira de um ataque de nervos o que predomina é o lado direito do cérebro (da emoção). Quando começa a contar até 10, ou até mil, você está reativando o lado esquerdo do cérebro (da razão) e não adianta contar aleatoriamente. É preciso que seja seqüencial. Aí o que acontece? Você disponibiliza respostas mais centradas e comportamento mais controlado, agindo pela razão. Não significa que não deverá expressar suas emoções, mas sim controlá-las.

Agora, se o engraçadinho de plantão persistir, e continuar deixando você à beira de um ataque de nervos, expresse o seu descontentamento, pois ele também deverá respeitá-lo. Mesmo porque paciência tem limites.

Exercícios cerebrais contribuem para ajudar na tomada de decisão e posicionamento diante da vida e você também poderá aprender a perceber que onde há fumaça há fogo. Com os hemisférios bem relacionados, sua vida será mais saudável.

O bom humor é, na verdade, um antídoto para a chatice e um remédio para quase todas as coisas. É recomendado para o pensamento criativo sem contra-indicação. Em situação de conflito, tensão e constrangimento, o bom humor poderá ajudar a persuadir ou convencer as pessoas, sem contar que ativa o pensamento criativo, favorecendo a inovação. Uma boa gargalhada também pode quebrar o constrangimento causado por algumas gafes. Afinal, quem já não pisou na bola atire a primeira pedra.

Considere-se fazendo parte do grupo dos normais.

O bom humor é uma das características das pessoas criativas. Veja, por exemplo, Mozart, cuja biografia revela que, por mais difícil que tenha sido sua vida, ele nunca perdia o bom humor. Comece! Você vai aprender, acredite.

Quando sou convidada a desenvolver um programa de criatividade, ao conversar com presidentes, diretores e diversos profissionais na empresa, durante o levantamento preliminar, logo percebo como está o humor dentro da organização e assim, entre outras coisas, defino o tempo que vou utilizar para desbloquear e estimular a criatividade nos participantes. Por incrível que pareça, para mim, isso funciona como um termômetro.

Mantenha o bom humor, aproveite o bom humor dos colegas, para, juntos, buscarem respostas criativas e inovadoras para os problemas ou chatices do dia-a-dia.

Artigo originalmente publicado na revista Vencer.

Maria Inês Felippe

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