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Livro- A ética na vida pública e privada

Acaba de ser lançado um livro imperdível sobre conduta ética na vida pública e privada. À primeira vista, somos levados a pensar em mais um volume recheado de conceitos acadêmicos obscuros. E isso é tudo o que não é A Reputação na Velocidade do Pensamento - Imagem e Ética na Era Digital , do jornalista Mário Rosa , que a Geração Editorial mandou às livrarias recentemente.

Com base em milhares de dados empíricos, e fatos conhecidos, Rosa anuncia que o futuro chegou, e que nele o valor mais elevado é o da ética, e a sua transgressão a mais perigosa tentação. Um passo em falso no ecossistema digital em que vivemos, diz ele, pode levar qualquer um à execração ou ao primeiro plano da admiração popular. Um pequeno erro, que na era passada (dez anos atrás) seria um episódio local e perfeitamente contornável, na nova era pode comprometer a reputação de indivíduos e empresas, e causar-lhes um dano global, maior do que foram treinados a prever.

Em suas 360 páginas de imagens e textos, o livro de Mario Rosa - um especialista na gestão de imagens de pessoas e empresas - revela o descasamento entre a realidade e o nosso velho modo de ver o mundo antigo, anterior a 1996. Foi essa dissintonia que causou, por exemplo, o terremoto ético que abalou o governo Lula.

O escândalo ficou conhecido pelas malas de dinheiro do mensalão. Mas a sua origem foi uma simples maleta contendo equipamento de filmagem de alta definição, comprada em um camelô de Brasília. Ao gravar aquele funcionário gabola dos Correios embolsando o maço de R$ 3 mil, aquela maleta foi a mais importante, pois continha a tecnologia que nos levou a saber de todas as outras malas, diz Rosa.

O mesmo deu-se com o petista flagrado pelo Raio X de um aeroporto com milhares de dólares escondidos na cueca. Havia tecnologia ali. No auge dessa crise, o presidente do PT foi flagrado por uma microcâmera quando entrava em um elevador para um encontro impróprio com o chefe do dono da cueca recheada. Ele não estava entrando no elevador, mas no horário nobre, em milhões de residências, e certamente nem pensou nessa possibilidade. Ele estava se comportando como antigamente, observa Rosa.

Um exemplo recente, que por isso não está no livro, mas que liga-se diretamente ao assunto. O então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, tentou resolver sua crise de imagem mediante a ruína da reputação de um humilde caseiro, que o acusava de freqüentar uma mansão para encontros com garotas de programa. Palocci moveu todo o aparato tecnológico do Estado para provar que o caseiro havia sido subornado, depois de descobrir depósitos elevados na sua conta bancária.

O caseiro provou, no entanto, que fazia jus à boa reputação que o levara a denunciar o poderoso ministro. O dinheiro dele chegara on line do Maranhão, mandado por seu pai biológico, em troca do silêncio sobre a paternidade. O ministro deixou dezenas de rastros digitais, na quebra ilegal do sigilo bancário do simples caseiro. A reputação do ministro desabou e ele perdeu o cargo. A mulher do pai do caseiro soube pela TV que o marido tinha um filho fora do casamento, o segredo que ele guardara zelosamente por mais de 20 anos, o que abalou a sua reputação na sociedade local. Já o caseiro foi tratado como herói, apenas pelo fato de ser honesto.

O trabalho de Rosa é, assim, simultaneamente assustador e otimista. É assustador no diagnóstico de que a privacidade tornou-se obsoleta. E otimista ao prever que a transparência tornará as pessoas mais éticas. Em um mundo em que todos olham todos, a reputação emerge como o valor mais precioso. Não que ela já não fosse um valor a ser perseguido pelos homens de bem, mas porque agora tornou-se indispensável.

Reputação é confiança, diz Mário Rosa. Quem a perde, perde a credibilidade, e com ela se vai o emprego, o negócio, o mandato parlamentar, o prestígio profissional e a confiança do consumidor.

Na sociedade do Homo Bytens, recomenda Rosa, é preciso uma nova forma de ver e agir. Nela não basta ser honesto, é preciso principalmente parecer honesto, seja porque somos o que os outros acham que somos, seja porque estamos mais expostos para o bem e para o mal numa extensão inteiramente nova e potencialmente devastadora.

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