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Wal Mart no Brasil salta na frente e inicia tendencia a guardar o meio ambiente do aquecimento global
Até bem pouco tempo atrás seria improvável ver em um mesmo evento executivos do Wal-Mart e representantes das Ongs W.W.F e Greenpeace – a menos que esse evento fosse num ringue de boxe. É que organizações ambientalistas costumam estar, invarialvelmente, em lados opostos aos das grandes corporações. Os interesses não convergem. Ou melhor, não convergiam. Recentemente, os “inimigos” se confraternizaram em São Paulo, num seminário que durou dois dias e teve como palco o auditório do hotel Clarion, em Alphaville. O assunto era sustentabilidade ou, dito de outra forma, discutir como o Wal-Mart do Brasil poderia se inserir na meta mundial do grupo de se tornar uma potência verde, preocupada com a saúde do planeta. Vicente Trius, o presidente da filial brasileira, acompanhado de Wilson Mello, presidente do Instituto Wal-Mart, apresentou seus projetos aos colegas americanos, aos ambientalistas e aos profissionais da consultoria BluSkye, a mesma que auxiliou o CEO mundial, Lee Scott, a iniciar sua cruzada ecológica. O seminário terminou com uma certeza: o Brasil terá papel fundamental nessa recém-criada filosofia da turma de Scott. É uma operação nova, mais fácil de aderir às mudanças, e conhece como nenhum outro país um elemento-chave para o sucesso da onda verde: combustíveis alternativos, que reduzem o consumo de energia e a emissão de poluentes.
Três meses atrás, em mais uma inauguração de loja do Wal-Mart, dessa vez em São José do Rio Preto (SP), os brasileiros provaram estar antenados com os princípios da matriz. No estacionamento da nova unidade, o asfalto foi substituído por grama e concreto. “Com isso, evitamos usar um produto derivado de combustível fóssil”, explica Mello. Dentro da loja, e de todas as que o Wal-Mart inaugurou neste ano, já foi implementado um projeto que reduz em 20% o consumo de energia. A empresa substituiu as lâmpadas tradicionais por lâmpadas T5 (fluorescentes e mais eficientes) e mudou o layout das lojas com o intuito de aproveitar melhor a iluminação natural. Como? Usando vidros na cobertura e abusando de áreas abertas. “Além disso, alteramos as cores em certos departamentos das lojas para tornar o ambiente naturalmente mais claro”, diz Mello. A altura do teto dos novos supermercados também foi reduzida em 20%. Com isso, tornou-se possível diminuir em 10% o consumo de ar-condicionado.
O aparelho de ar-condicionado, aliás, foi substituído. Sai o equipamento tradicional e entra um novo que não usa gás CFC, nocivo ao meio ambiente. O mesmo ocorreu no sistema de refrigeração das áreas “frias” dos supermercados. Eles ganharam uma tecnologia chamada Glycol Polipropileno, mais eficiente e que também não usa o CFC. “Estamos aproveitando ainda o calor gerado nas casas de máquinas para aquecer a água que usamos nos lavatórios”, conta o presidente do Instituto Wal-Mart. Além das mudanças estruturais, a rede está repetindo no Brasil a filosofia de Scott na negociação com fornecedores: quem abraçar a causa verde terá a “simpatia” do Wal-Mart. E a simpatia do Wal-Mart em qualquer transação comercial vale ouro. Um bom exemplo das relações mais estreitas com parceiros pode ser verificado entre os fornecedores de alimentos orgânicos. A filial está aumentando consideravelmente a oferta deste tipo de alimento nas gôndolas. “Teremos o maior mix de orgânicos com o menor preço”, garante Mello.
Mas de todas as iniciativas, a que mais chamou a atenção do board do Wal-Mart foi o programa implementado em supermercados do Nordeste. Em duas lojas de Maceió (AL) e uma em Teresina (PI), a empresa vem substituindo toda a matriz energética. As unidades estão se servindo de fontes como biomassa (energia gerada a partir do bagaço de cana) e gás natural e utilizando também as PCHs (pequenas centrais hidrelétricas, que não agridem tanto o meio ambiente). “Nessas lojas, reduzimos o consumo em 15%”, afirma Mello. Eis um grande diferencial brasileiro. A filial tem sido cada vez mais procurada como fonte de conhecimento sobre energia alternativa. Com o firme propósito do CEO Lee Scott de substituir a gasolina de sua frota de caminhões (a segunda maior dos EUA) por etanol ou biodiesel, o Brasil passa a ser prioridade nos planos verdes da matriz. “Em breve, poderemos liderar um programa de exportação de álcool e biodiesel para os EUA”, sugere Mello. “Estamos fazendo um bem ao meio ambiente, ao planeta e aos nossos negócios. Essa é a filosofia”, conclui o executivo.
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